Vereador lança Frente em defesa do desenvolvimento sustentável

chaguinhas

( Djalma Rodrigues)

  Com a experiência de quem criou a União Parlamentar dos Vereadores do Maranhão (Unipav) e conseguiu fazer do PRP um dos maiores partidos do Maranhão, dentre as siglas intermediárias (ele deixou a sigla este ano), o vereador Francisco Chaguinhas  (PSB), está se lançando agora num novo desafio, que é a criação da Frente para o Desenvolvimento Sustentável de São Luís.

Vereador de segundo mandato, Chaguinhas é um político irrequieto, sempre pronto a  abraçar novas idéias. Em entrevista ao ATOS E FATOS, ele discorre sobre a referida Frente, sobre o cenário político local, Unipav e as razões que o levaram a abandonar o PRB, após elevar aquela agremiação política ao patamar de igualdade dentre os partidos médios e mais antigos. Veja a íntegra da entrevista:

ATOS E FATOS – Qual o passo inicial para a criação da Frente  de Defesa do Desenvolvimento Sustentável e como surgiu a idéia?

 

FRANCISCO CHAGUINHAS – É uma frente suprapartidária, que deverá aglutinar outros setores da sociedade, com o objetivo de combater a falta de políticas estruturantes na cidade, a agressão ao meio ambiente e criar mobilidade urbana, visando propiciar  um futuro melhor para o povo de São Luís. Veja que nossos mananciais, nossos rios e outras fontes naturais estão desaparecendo por conta da poluição predatória e ninguém se importa com isso. Temos secretarias de meio ambiente nas esferas estadual e municipal, além do Ministério Público, que destina um promotor para a área e diversas Ongs. Estas últimas sugam o dinheiro público e nada fazem. Não existe defesa de nada. Ou seja, são gestões sem resultado para a população.

ATOS E FATOS – O ex-vereador Benedito Pires I, sempre bateu na mesma tecla, desde o seu primeiro mandato, em 1972. Em 74 apresentou propositura para que todas as edificações imobiliárias na orla marítima da cidade tivessem esgotamento sanitário. O que se vê é totalmente o contrário. Como a Frente irá tratar dessa questão?

FRANCISCO CHAGUINHAS- Entre   o respeito e a ganância, prevaleceu a ganância. São Luis cresceu verticalmente de forma muito rápida, principalmente na chamada área nobre, entre Calhau, Renascença e Ponta D’Areia. Mas não houve respeito ao ponto principal, que é o de preservar o meio ambienta. Não existem estações de tratamento de esgoto e Estado e Município, viraram as costas para o problema, com suas respectivas secretarias ambientais liberando as licenças ambientais. Se cometeu um verdadeiro crime na cidade.

ATOS E FATOS – O  senhor destaca o crescimento habitacional em área nobre, o problema é que no perímetro periférico, houve um crescimento ainda maior, com o surgimento de dezenas de bairros, de forma desordenada e sem estrutura. Por exemplo, não há rede coletora de esgoto. Como  observa essa questão?

FRANCISCO CHAGUINHAS-  A cidade cresceu de forma desordenada, tanto na área nobre e na periferia, exatamente pela falta das obras estruturantes, pois sabemos e temos conhecimento  que, primeiro vem o povoamento somente duas ou três décadas depois é que chegam as obras estruturantes, como a rede coletora, estação de tratamento, drenagem profunda e todo serviço de infraestrutura.

ATOS E FATOS – Não seria importante a parceria dos poderes federal, estadual e municipal no enfrentamento desse problema, que tanto aflige a cidade, principalmente agora, quando as chuvas estão fustigando São Luís?

FRANCISCO CHAGUINHAS –         O chamado Pacto Federativo, tão propalado pelo Governo Federal, prevê esse tipo de parceria, mas, entre dizer e fazer, há um longo caminho a ser percorrido pela sociedade, que, no final, sempre fica a ver navios. O Pacto Federativo, na realidade, ainda é uma obra de ficção. Os Governos Federal e Estadual, ficam em zona de conforto porque são pouco criticados, já que são distanciados do povo, ao contrário da gestão municipal. Já que os problemas dos três ente federados, terminal ficando sob a responsabilidade do Executivo e do Legislativo Municipal. Ambos estão ali, ao lado do povo, no município, onde tudo acontece, já que Estado e União, na realidade, acabam sendo abstratos no que tange ao fortalecimento do cidadão.

ATOS E FATOS-   Em 2008, o senhor criou a União Parlamentar de Vereadores do Maranhão  (Unipav). Essa entidade foi muito badalada nos anos seguintes, através de movimentos em quase todos os municípios. Repentinamente, saiu de cena. A Unipav está hibernando ou acabou?

FRANCISCO CHAGUINHAS- Não! A Unipav não acabou, está viva e vai ficar mais forte, até porque será o instrumento de criação da Frente para o Desenvolvimento Sustentável de São Luís. Essa frente, com certeza, será modelo para que os demais municípios maranhenses possam lutar em defesa do meio ambiente. E aí, a Unipav mais uma vez estará percorrendo o Maranhão inteiro, levantando essa bandeira junto aos vereadores.

ATOS E FATOS-  Em 2010, o senhor assumiu a presidência estadual do Partido Republicano progressista (PERP), no Maranhão. Tornou a sigla conhecida e depois deixou e se filiou ao PSB. O que realmente aconteceu entre o senhor e a direção nacional do partido?

FRANCISCO CHAGUINHAS – Quando assumi o PRP, o partido não tinha sequer uma sede e apenas 22 vereadores em todo Maranhão. Eu e o vereador Nato fizemos um trabalho de aproximação da sigla com a imprensa e outros segmentos, narrando fatos e acontecimentos vividos no dia a dia, com filiados e simpatizantes. Conseguimos eleger, em 2012, 61 vereadores, três vice-prefeitos e um prefeito, o de São João do Caru.

Os números mostram como foi a evolução do PRP durante nossa gestão. Ocorre que,  alguns problemas surgiram fora do nosso controle e decidi deixar o PRP, sem mágoas de ninguém e busquei outro caminho. Em política, é assim, não há fidelidade eterna e nem intrigas que não se acabe.

 

 

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