Ameaçado de expulsão, Gil Cutrim justifica voto pela reforma da Previdência

 

Por: Giovana Kury11 de Julho de 2019

Membro de um partido declarado contrário à proposta da reforma da Previdência, o deputado maranhense Gil Cutrim (PDT) explica por que votou ‘sim’ pelo texto levado à plenária da Câmara na última quarta-feira (10). “Não farei uma política raivosa, e sim com bom senso”, publicou em sua conta do Twitter.

 

“Respeito muito o meu partido PDT e corroboro com o que há de melhor em defesa do trabalhador brasileiro. Mas farei uma oposição que pensa no melhor para o país!”, completou o deputado.

Em nota publicada em suas redes sociais, o político maranhense assegurou que o texto inicial da PEC foi rejeitado pelo PDT e que o partido “brigou” para que fossem retirados mudanças relacionadas à aposentadoria rural, ao Benefício de Prestação Continuada (BPC), a idosos e deficientes de baixa renda.

Ainda segundo o esclarecimento, o pedetista afirmou que “para que nosso país volte a crescer, reformas estruturais precisam ser realizadas independentemente das ideologias partidárias”, e que “a reforma da Previdência é uma medida dura, porém fundamental à retomada da economia”.

Expulsões do PDT

Desde março, a legenda se definiu contrária à reforma da Previdência. A decisão foi reforçada na última terça (9) após reunião com a bancada do partido na Câmara: o presidente do PDT, Carlos Lupi, disse que quem apoiasse a proposta de aposentadoria do governo Bolsonaro seria desligado do partido.

O candidato à presidência da República do PDT, Ciro Gomes, disse em sua conta do Twitter que apoiaria a expulsão dos parlamentares que votassem a favor da reforma. Sua argumentação é de que a proposta seria “elitista” e “contra os pobres e contra a classe média”.

Ainda assim, mesmo com a ameaça, oito deputados pedetistas de todo o país – incluindo o maranhense em questão – votaram a favor da PEC na quarta-feira. Uma delas foi Tábata Amaral (PDT-SP), que contrariou o partido sob a alegação de que “ser de esquerda não pode significar ser contra um projeto que de fato pode tornar o Brasil mais inclusivo e desenvolvido”.

Confira a nota do deputado Gil Cutrim na íntegra:

“É importante que a população saiba que para que nosso país volte a crescer reformas estruturais precisam ser realizadas independentemente das ideologias partidárias. É preciso que nós, da classe política, enxerguemos só o povo como prioridade, nossas vaidades não podem ser um impeditivo para avançar. Nosso principal objetivo deve ser uma agenda positiva que vise a geração de emprego e o bem-estar dos brasileiros. A reforma da Previdência é uma medida dura, porém fundamental à retomada da economia. A previsão é que o país economize R$ 1,071 trilhão em dez anos.

Analisamos com bastante critério cada ponto contido na Proposta de Emenda à Constituição (PEC) enviada à Câmara dos Deputados pelo Governo. Junto com o meu partido PDT, rejeitamos o texto inicial e brigamos para que fossem retiradas mudanças que estavam previstas na aposentadoria rural e no Benefício de Prestação Continuada (BPC), pago a idosos e deficientes de baixa renda. Se esse idoso não tivesse tempo mínimo de contribuição para se aposentar pelo regime geral ao atingir 65 anos, ele deveria continuará recebendo R$ 400 até completar 70 anos, o que seria desumano. Essas foram propostas do Governo que conseguimos corrigir. Saliento que além da importância para os beneficiários, entendo que manutenção desse benefício é fundamental para economia dos pequenos municípios.

A mudança na aposentadoria rural foi um outro ponto crítico de contribuição da desigualdade que batalhei pessoalmente através de emenda para que fosse modificado do texto original. De acordo com o IBGE, são 8 milhões de brasileiros acima de 65 anos que vivem da agricultura familiar, são eles os trabalhadores rurais e estão enquadrados na categoria do INSS como “segurados especiais”, incluindo os pescadores, extrativistas vegetais e indígenas, neste grupo. Pelo texto, a idade mínima fica mantida em 55 anos para mulheres e 60 para homens. Pelo Governo, o trabalhador rural não poderia se aposentar por idade sem nunca ter contribuído.

Outro item importante que corrigimos foi a do regime de capitalização que o Governo queria criar, o que tiraria das empresas a responsabilidade pela aposentadoria do trabalhador.

Por fim, deixo claro que minha decisão durante a votação da reforma da Previdência foi por entender este é o caminho para o avanço do Brasil, com a diminuição das desigualdades do atual sistema que faz com que os mais necessitados sustentem os mais ricos. Repito, é uma mudança dura, mas necessária para retomarmos o avanço que todos queremos para o país.

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