O Maranhão tem um grande débito para com Dejard Ramos Martins

(Djalma Rodrigues)

A rua Dejard Ramos Martins e suas travessas são artérias bucólicas para os padrões de movimento do histórico Bairro de Fátima, local que foi palco de muitas das minhas noites boêmias, o que sintetiza meu amor pelo berço da minha querida Unidos de Fátima. Mas não estou aqui para  escrever  sobre a escola de samba do meu coração  e nem para  me aprofundar sobre aquele reduto festeiro, onde incontáveis noites  e madrugadas  embalaram  parte de minha juventude.

Decidi escrever algo sobre uma proeminente figura do esporte,  da comunicação e da política maranhense. Dejard Ramos Martins. Este é o cidadão em questão. Nasceu em 14 de julho de 1923 em Manaus, filho de Joaquim de Souza Martins com a maranhense Analide Ramos Martins.

Veio para o Maranhão em 1935 e, apaixonado pelo futebol, em 1940 foi nomeado diretor de futebol do Sampaio Correa, seu time de coração. Seria o início de uma brilhante trajetória, que o levaria a ocupar diversos cargos importantes, sempre pautado pela seriedade e pela competência.

Em 1944 iniciou a carreira como locutor esportivo, na rádio Timbira, de onde foi diretor, e também um dos fundadores da Associação dos Cronistas Esportivos e Locutores do Maranhão – ACLEM -.

Destaca o jornalista e presidente da Academia Maranhense de Letras, Benedito Buzar, que Dejard Martins foi nomeado pelo governador Newton Bello para o lugar de Costa Rodrigues, em 1965, prefeito de São Luís, quando exercia  o cargo de secretário municipal da Administração. Ficou no cargo de junho a outubro daquele ano. Sua foto ilustra a galeria de ex-prefeitos no Palácio de La Ravardière, sede da Prefeitura da capital.

Sei que foi secretário municipal de Fazenda, assessor chefe do Serviço de Imprensa e Obras Gráficas do Estado (SIOGE) e assessor da Assembleia Legislativa, dentre outras funções de relevo.

Conheci Dejard Martins em 1979, quando ingressei no extinto O Jornal e ele era o superintendente. O referido matutino tinha ainda como diretores, Mauro Bezerra, amigo inseparável de Dejard, Cordeiro Filho e Ruy Ilaino Coelho de Abreu.

Cheguei para trabalhar como revisor, na parte da tarde. Ocorre que estava mesmo focado era em virar repórter  e redator. E o acaso me colocou nessa trilha. Numa certa manhã de segunda-feira, havia ido ao jornal levar minha Carteira Profissional para ser assinada. Eis que ali chega, esbaforido, o atual técnico de futebol Braide Ribeiro, cuja carreira já o levou a treinar equipes no exterior.

Chegou dizendo que queria ser entrevistado, porque acabara de se formar na UFMA, em Educação Física e estava retornando de um estágio na equipe do Flamengo do Rio de Janeiro. Não havia repórter na redação, mas não o desapontei. Chamei o Silvan Alves, um dos fotógrafos e fiz a entrevista com o Braide.

Levei o texto e as fotos para o Dejard tão logo ele chegou.

-Muito bom! Vai ser a manchete da página de esporte e com chamada na primeira página. Liga pro Braide e diz que quero falar com ele-, me determinou.

Como era novato e ele não me conhecia, foi posteriormente indagar ao Jersan sobre quem era eu. Foi informado de que era revisor e que só trabalhava à tarde  e à noite. Não demorou muito e depois de algumas matérias produzidas por conta própria, fui promovido para a redação.

Depois, O Jornal foi incorporado ao Sistema Difusora e eu fui enviado para Imperatriz, para dirigir  a redação do Jornal do Tocantins, criado pelo grupo. O atual deputado federal Hildo Rocha era o administrador e o Silvan Alves o fotógrafo.

Costumo dizer que falta uma estátua em reconhecimento ao trabalho que  Dejard Ramos fez pela comunicação e pelo esporte do Maranhão. Quando deixei Imperatriz, ele me levou para o SIOGE, onde dirigi o setor de Revisão, durante o governo de João Castelo. Certo dia me chamou em seu gabinete e me incumbiu de revisar seu livro sobre o futebol, mas morreu em 2000,  e não me entregou a obra.

Uma figura extraordinária, muito sensível, desprovida de vaidades. Extremamente inteligente e ao mesmo tempo austero em suas ações. Homem de desafios. Não admitia fracassos. Quando dirigiu a Rádio Timbira, em meados da década de 1960, formou uma invejável equipe e transformou a emissora em campeã de audiência, mesmo sendo órgão oficial do governo. Era oficial, mas não chapa branca.

Na última terça-feira, numa roda de amigos, surgiu  nome de Dejard Ramos Martins. Disse que o Maranhão estava sendo ingrato com um homem daquela estatura, que muito fez pelo Estado. Esse é um débito que ainda teremos de saldar com esse ilustre maranho-amazonense.

 

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