Polícia Civil do Maranhão é devastada pelo coronavírus, com mais de 1,2 mil afastamentos e mortes

Desde o início da pandemia, 1.292 policiais foram afastados e 13 morreram em decorrência da Covid-19 no Maranhão. O número corresponde a 9,84% do total do efetivo de policiais militares e civis do estado, que chega a 13.135.

Os dados fazem parte de um levantamento exclusivo divulgado nesta sexta-feira (23), pelo G1, dentro do Monitor da Violência, uma parceria com o Núcleo de Estudos da Violência da USP e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

No último ano, nove oficiais da Polícia Militar do Maranhão (PM-MA) morreram por Covid-19. Outros 805 foram afastados devido a compilações causadas pela doença.

Somente 7,33% do efetivo total de PMs do estado, que chega a 10.987, foram afastados dos seus postos de trabalho. Com isso, o Maranhão foi o quinto estado que menos afastou policiais militares durante a pandemia, atrás do Amapá(3,78%), Rio Grande do Norte (4,56%), Pernambuco (5,56%) e Amazonas (7,42%).

Polícia Civil

Entretanto, a taxa de policiais civis afastados no Maranhão é a sexta maior do país. Desde o início da pandemia, 487 profissionais tiveram que sair temporariamente dos seus postos por conta da Covid-19.

O número corresponde a 22,67% do efetivo total da corporação no estado, que chega a 2.148. O Maranhão só perde para Santa Catarina (47,75%), Distrito Federal (40,83%), Sergipe (27,86%), Bahia (26,50%) e Mato Grosso (25,48%).

Ao todo, quatro policiais civis morreram em decorrência de complicações da Covid-19 no estado. Dentre eles, o delegado Diogo Antônio Cabral Melo, de 40 anos. Ele era natural de Belo Horizonte, mas atuava como delegado de polícia no Maranhão desde 2014.

Mais de 400 morte no Brasil

O levantamento do G1 aponta que, no Brasil, houve o registro de 465 policiais mortos em decorrência da Covid-19. Isso é mais que o dobro dos que foram assassinados nas ruas em 2020, que foi 198 policiais.

A doença também tem afetado diretamente a rotina nas corporações. Um em cada quatro policiais brasileiros foi afastado das atividades em algum momento durante a pandemia por apresentar sintomas, fazer parte de algum grupo de risco ou ter de fato contraído o novo coronavírus.

Os números revelam que:

465 policiais civis e militares da ativa morreram vítimas da Covid-19 em 2020, mais que o dobro do número de agentes assassinados no país (198)

Rio de Janeiro (65), Amazonas (50) e Pará (49) foram os estados com mais policiais mortos

126.154 policiais foram afastados da função em algum momento, o que representa 25% do total do efetivo no país

Tocantins foi o estado com o maior percentual de afastamentos pela doença: 38% do total

Todas as unidades da federação tiveram ao menos um policial morto pela doença no ano passado.

Esse número hoje é certamente maior, já que não são levados em conta no dado os primeiros meses deste ano, quando a Covid-19 atingiu seu pico.

O levantamento foi feito com base nas informações coletadas nas assessorias de imprensa das corporações e por meio da Lei de Acesso à Informação.

Para Bruno Paes Manso, do Núcleo de Estudos da Violência da USP, e Samira Bueno e Renato Sérgio de Lima, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, os números revelam o cenário de tragédia e medo que a gestão da pandemia ajudou a construir no Brasil.

“Gestão essa que parecia ignorar até menos de um mês atrás que uma quantidade significativa de profissionais de segurança pública trabalha em contato direto com a população e está em constante risco de contaminação e, ainda, de transmitir o vírus para seus familiares e amigos”, afirmam.

 

“Foi somente no fim de março que tais profissionais ganharam o direito de serem vacinados. Até então, fora da lista inicial dos grupos prioritários para a vacinação do Programa Nacional de Imunização (PNI), os policiais têm tido um papel central na gestão da crise sanitária, especialmente na garantia de medidas de distanciamento social e proteção de equipamentos de saúde pública.”

Transparência

O levantamento do G1 durou mais de dois meses para ser concluído. Os dados foram solicitados via Lei de Acesso à Informação e também foram pedidos às assessorias de imprensa das secretarias da Segurança e das corporações, quando necessário.

Além da demora e da falta de padronização nas respostas, dois estados não enviaram as informações completas.

O Paraná não forneceu o número de policiais afastados (tanto civis quanto militares). A SSP diz que não informa os dados “por questões de segurança e também por se tratarem de dados de saúde dos integrantes”.

A Polícia Civil de Minas Gerais não repassou nenhum dado, alegando “questões estratégicas de segurança”. “O quantitativo de servidores afastados por apresentarem sintomas gripais e/ou respiratórios, bem como que tiveram confirmação da Covid-19, é ínfimo e não compromete a prestação de serviço pela instituição.”

Apesar da falta de transparência de alguns estados, outros adotaram, inclusive, portais com um raio X completo da doença. Santa Catarina, por exemplo, enviou não só os dados pedidos como informações sobre casos suspeitos, casos confirmados, casos recuperados e casos em monitoramento.

Monitor da Violência

Nesta quinta-feira (22), o Monitor da Violência mostrou que o número de policiais mortos aumentou 10% na comparação de 2019 com 2020 (passou de 180 para 198). Isso significa que um policial é assassinado a cada dois dias. O Piauí foi o estado com a maior taxa de policiais mortos (1 a cada mil policiais). Acre, Paraná, Rio Grande do Sul e Tocantins não tiveram mortes de policiais em 2020.

 

Por outro lado, houve uma ligeira queda de 3% nos dados de pessoas mortas pela polícia (de 5.829 em 2019 para 5.660 em 2020). Essa redução se deve, principalmente, pelo Rio de Janeiro, que registrou 575 mortes a menos. Uma decisão do STF suspendeu as operações policiais no estado do RJ durante a pandemia e foi crucial para essa queda.

Em 2020, 17 estados apresentaram alta nas mortes pela polícia. Os números são preocupantes: 16 pessoas são mortas pela polícia no país a cada dia.

O Amapá aparece como o estado com a maior taxa de letalidade policial em 2020: 12,8 por 100 mil habitantes. Já a taxa nacional foi de 2,7 por 100 mil. Distrito Federal teve a menor taxa: 0,4 a cada 100 mil.

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *