SOBRE A GESTÃO URBANA NO ARAÇAGI

 

Iran dos Passos¹

 

Ontem, domingo (13), acordei desejoso de falar sobre o Bairro do Araçagi, localizado no Município de São José de Ribamar. Moro aqui desde de 2010, em uma casa construída sob a supervisão técnica de Mário Passos Bouty, arquiteto, e Eliseu Passos, engenheiro civil, parentes e conterrâneos de Barreirinhas.

Antes de aqui chegar, já casado com Maria José, morei nas ruas Luís Domingues e Amazonas, ambas localizadas no centro do Município de Imperatriz.

Em Imperatriz, fui pioneiro no jornalismo impresso diário sob a forma do sistema offset, implantando nela, juntamente com os jornalistas Djalma Rodrigues, Ildo Rocha (hoje deputado federal), Marcelo Rodrigues, Nílson Santos  e Silvan Alves, o “Jornal do Tocantins”, dirigindo, em seguida, o Departamento de Jornalismo da “Rádio Imperatriz”, de propriedade do, à época, deputado federal Edison Lobão e do empresário Moacir Sposito.

Completado meu ciclo na “Princesa do Tocantins”, epíteto dado à bela cidade da Região Metropolitana do Sudoeste do Maranhão, retornei à cidade de São Luís.

Chegando à capital maranhense, fui morar na Cohab e, em seguida, no Cohatrac IV. Neste último bairro, criei meus dois filhos: a advogada Maira Passos e o contador Argemiro Neto. Vivemos lá 24 anos. Quando saímos, em 2010, Maira já tinha concluído o curso de Direito.  Argemiro Neto estava no último ano de Ciências Contábeis.

Foi no Cohatrac IV que, certa feita, conversando com o engenheiro civil Eliseu Passos, ele me disse, em tom de blague, que o sonho de consumo de quem morava na Cidade Operária era a aquisição de um imóvel no Cohatrac; e o de quem morava neste, era no Renascença.

Nunca pensei em morar no Renascença. Sonhava, saindo do Cohatrac IV, residir em uma área que fosse meio termo entre o campo e a cidade. Cheguei a comprar dois terrenos, um no Pindaí, e outro na estrada de São José de Ribamar. O projeto era construir em um dos dois uma casa. Fui desaconselhado pelo engenheiro Eliseu Passos.

Nesse momento, surgiu o médico Mauro Antônio Silva, um pediatra de nomeada, contemporâneo de juventude no bairro da Cohab. A proposta dele era a aquisição de terrenos no Loteamento Alphaville (não confundir com o condomínio). Adultos, os contemporâneos de juventude na Cohab uniriam, na perspectiva de Mauro Antônio, as pontas dos nós. Compraríamos ele, eu, Renato Dionísio, do Boi Pirilampo, Genildo, bioquímico, e Zacarias, policial federal, terrenos no Loteamento Alphaville, construiríamos nossas casas e lá moraríamos.

Todos empolgados, apenas eu e Mauro Antônio compramos os terrenos e lá fizemos nossas moradias. Permaneço no Araçagi até hoje; Mauro Antônio foi levado a sair de lá pela violência a que tenho resistido. Não sei até quando.

Morar no Araçagi, pelo menos para mim, na parte que fica ao lado da Praia do Meio, não constitui tarefa fácil. Falta, fundamentalmente, gestão urbana. Contam-se, nos dedos da mão, o número de ruas asfaltadas; os terrenos lá estão entregues à própria sorte, cabendo aos proprietários das casas ali erigidas a limpeza deles.

O não asfaltamento e a predominância de terrenos abandonados, além da insegurança, explica o esvaziamento da área. Talvez, então, a Prefeitura de São José de Ribamar a quem os moradores do Araçagi recolhem elevados impostos possa assumir a gestão urbana da área.

Pode seguir o exemplo de cidades como a de São Paulo, e, também, já, a de São Luís, que obriga os responsáveis por imóveis, edificados ou não, a mantê-los limpos, capinados e drenados, respondendo, em qualquer situação, pela sua utilização como depósito de lixo, detritos ou resíduos de qualquer espécie ou natureza.

Então, prefeito Júlio Matos!? A medida, com certeza, vai, também, gerar emprego e renda. Em época de pandemia, hein!?

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¹Iran de Jesus Rodrigues dos Passos é jornalista, radialista, e professor adjunto na UEMA com doutorado em Ciência da Literatura na UFRJ.

 

 

 

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