Erlânio Xavier e seus aliados podem ser presos pela PF a qualquer momento

Fontes bem situadas na Justiça e na Polícia Federal garantiram que o escândalo do orçamento secreto envolvendo desvio de quase R$ 1 bilhão da saúde pública, por parte de prefeitos aliados do senador Weverton Rocha, vai acabar com vários pedidos de prisão. Revelaram ainda que vários destes gestores estariam se mobilizando junto a grandes escritórios de advocacia e a conhecidos na magistratura, para conseguirem habeas corpus preventivos.

Também, revelaram as fontes, que um dos primeiros a terem o pedido de prisão preventiva deve ser o prefeito de Igarapé Grande, Erlânio Xavier. O episódio veio à lume através de ampla reportagem do último final de semana, na Revista Piauí.

 

De acordo com a reportagem, a roubalheira começou por Igarapé Grande, que tem como prefeito o presidente da Federação do Municípios, Erlânio Furtado Xavier (PDT). Ele é sócio petrolífero do senador Weverton Rocha (os dois adquiriram do famigerado agiota Pacovan, uma rede de postos de combustíveis. Pela sua posição, posição  deveria ser exemplo para os liderados.

Os números  apresentados são de arrepiar. Em 2018, os atendimentos MAC (média e alta complexidade) estavam em 123 mil. No ano seguinte, quando o orçamento secreto dava seus primeiríssimos passos em Brasília, explodiram para 761 mil. Só as consultas com especialistas bateram em 385 mil, o que dá uma média de 34 consultas por habitante, um padrão que supera o recorde mundial, estabelecido pela Coreia do Sul, onde a marca anual chega a 17 consultas por habitante.

“Com a profusão de exames e consultas fantasmas, Igarapé Grande aumentou muito seu teto orçamentário e conseguiu atrair R$ 3,9 milhões do orçamento secreto em 2020”, constata a Revista Piauí.

No mesmo ano, Igarapé Grande voltou a inflar seus números. Informou que fez mais de 12,7 mil radiografias de dedo de mão – ficando atrás apenas de São Paulo, Porto Alegre e Belo Horizonte. Assim, em 2021, conseguiu ainda mais recursos do orçamento secreto: 6,7 milhões, o que lhe valeu a medalha de ouro no per capita nacional.

Longe dessa farra de exames MAC, Rosimar Conceição da Silva, de 51 anos, morando numa casebre de taipa, chão batido e desconectada da vida lá fora, contou à reportagem o seu maior sonho: “O que nós queríamos aqui era um bom doutor para cuidar bem da gente”.

Em Bela Vista do Maranhão, Francisco dos Ramos conta que levou um tombo da carroça e foi arrastado no asfalto pelo burro. “E aí ele me deu uns cinco coices nas costelas. Estou todo inflamado por dentro. Dia eu como bem, dia como mal, porque dói por dentro. Até a água dentro de mim dói.”

No Estado de maior patamar de pobreza extrema, em 2021 Bela Vista recebeu R$ 5,5 milhões em verbas de emendas parlamentares para pagar exames e consultas com especialistas. O valor é maior do que onze capitais, entre elas Florianópolis, Natal, Vitória, Belém e Manaus. Com 11,3 mil habitantes, os R$ 5,5 milhões dão uma média de R$ 490 per capita. A lista de prefeituras é enorme. Este é um dos maiores escândalos envolvendo desvio de recursos públicos no Brasil das últimas décadas e tem como protagonistas um grupo de aliados de Weverton Rocha, que luta para ser o governador do Maranhão.

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