Engenheiro da Vale acometido de grave infecção luta pela vida e por indenização

A aparente serenidade com que troca ideias com o interlocutor, com certeza não traduz a ansiedade do jovem engenheiro mecânico Márcio Laudrop Ferreira Matos, que, aos 35 anos, afirma viver cada dia como se fosse o último, uma vez que os integrantes de uma equipe de 27 médicos que o atende, lhe dizem que ele tem apenas 10 por cento de probabilidade de prolongamento da vida.

Ele é o protagonista de uma história intercalada de sonhos, vitórias e, agora de uma corrida contra o tempo para sua sobrevivência. Natural da cidade de São José de Ribamar, onde reside na Rua Vieira-475. Foi ainda criança para São Paulo, onde estudou o jogou profissionalmente pelas equipes da Juventus e Portuguesa de Despostos.

Em 2003, já formado em Engenharia Mecânica, pendura as chuteiras e vem para o Maranhão, onde ingressa na Vale. Seu cargo de responsável pela manutenção das vias férreas, fez com que fosse contaminado com o agente químico Creosoto, resultando numa série de problemas, que vão de obstrução das vias respiratórias a dores lancinantes, além da redução quase total da ingestão de alimentos sólidos, fazendo com que o nutricionista lhe indique apenas carnes de rã e de coelho.

“Os problemas são muitos. Em decorrência, tiveram que colocar uma bomba de infusão no meu tórax, para acondicionamento de doses de morfina. A bomba ‘e recarregada a cada dois meses em São Paulo, mas mesmo assim , tenho que vir ao hospital em São Luís semanalmente, para outras dosagens de mofina, uma vez que as da bomba são responsáveis apenas para aplacarem a dor da região torácica”, afirma.

Ele diz se sentir como um condenado “a morte que vive os últimos momentos, sem saber quando o carrasco chegará, e reclama da falta de apoio da Vale, que só lhe custeia o tratamento por conta de ações judiciais.

Márcio assegura que ajuizou uma ação contra a empresa, ganhou em todas as instâncias, e alega que a Vale continua protelando junto ao STF.

Diz o engenheiro, que sua sobrevivência ;e um caso raro, uma vez que de todas as pessoas contaminadas com o Creosoto na América Latina, apenas ele está sobrevivendo.

Falando como se estivesse completo domínio do problema, destaca que já fez seis cirurgias, para redução das dores do pescoço, terá que se submeter a mais um procedimento, mas os médicos estão receosos, destacando que ele só tem 10 por cento de chances de sobrevivência.

A conversa flui lentamente com o comunicador, numa sala de observação do Hospital Português, onde ele se encontrava na tarde desta segunda-feira, para tomar uma dosagem de morfina, mas as enfermeiras estavam encontrando dificuldades, uma vez que que as veias estão encolhidas e endurecidas.

“Sei que estou no fim da vida. Sou apenas um sobrevivente preste a morrer a qualquer instante. Mesmo assim, a Vale fica protelando o meu processo indenizatório lá no Supremo Tribunal Federal”, assegura Márcio, sem esconder uma grande decepção para com a empresa por quem está dado a própria vida.

O que é o Creosoto

creosoto, frequentemente referido como creosote, é um composto químico derivado do destilado de alquitranos procedentes da combustão de carbonos graxos (hulha) preferencialmente a temperaturas compreendidas entre 900 e 1200 ºC. A destilação mencionada se realiza entre 180 ºC e 400 ºC.

A composição é muito variada em função das distintas utilizações.

A principal propriedade é sua qualidade biocida para os agentes causadores da deterioração da madeira, a qual se protege impregnando-a com o produto mediante processo que habitualmente se realiza em um autoclave e que se denomina creosotado.

 

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