Recados para ela

Olá, minha gata, muito bom dia! Espero que estas poucas e mal traçadas te encontrem no maior astral aí, ao lado do Criador. Por aqui, cidadã, só se falam em três coisas. Sucessão, vacinação e a famosa CPI do Coronavírus, no Senado Federal. Aqui no Maranhão, o embate entre o senador e o vice-governador Carlos Brandão está escancarado e não há mais como esconder que o governador Flávio Dino já escolheu o Brandão como seu predileto. Quem falar o contrário é como aquele que é cego porque não quer enxergar.

São indiretas e mais indiretas que, para quem acompanha o cenário político ao longo dos anos identifica logo para quem é endereçado. Na última, o governador disse que “tem gente que quer chegar aos cofres do Palácio para aumentar o patrimônio”. Dá pra entender? Com teu pimpolho aqui é que não foi. Mas vamos logo aqui a algumas histórias envolvendo a CPI da Pandemia lá no Senado, que está mobilizando milhares de pessoas pelo Brasil afora.

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No dia 29 do mês passado, Bibi, a CPI ouviu o deputado estadual Fausto Júnior, do Amazonas. Todo mundo sabe que ele é aliado do atual governador Wilson Miranda, que, por sua vez, é adversário do presidente da CPI, o senador Omar Aziz, que é daquele estado.

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Fausto Júnior foi relator de uma CPI lá no Amazonas, que apurou desvio de recursos da saúde, e até agora não deu em nada. Omar Aziz indagou ao parlamentar conterrâneo, porque ele não investigou o governador Wilson Miranda.

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Fausto estava com a resposta pronta;

-Há impedimento legal e se ele fosse convocado, o senhor também seria, já que foi governador do Estado de 2010 a 2014.

Omar Aziz engasgou.

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Engasgou mais ainda quando Fausto Júnior fez alusão à prisão da esposa e de três irmãos do senador, por conta de suspeita de desvio de R$ 260 milhões.

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A história é o seguinte: em 2019, uma operação da Polícia federal levou para o xilindró a esposa do senador Omar e três irmãos dele, todos envolvidos numa roubalheira que teria lesado algo em torno de R$ 26º milhões o cofres públicos, no período em que Aziz era governador.

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Isso é pra te informar de como são as coisas pelo nosso Congresso Nacional. O presidente da CPI ostenta esse histórico. Assim como  o seu colega Renan Calheiros, Aziz, quando se dirige aos depoentes, já é esculhambando. As mulheres que tiveram frente à frente com os dois, passaram baque e nenhuma senadora entrou em defesa das testemunhas. Elas foram humilhadas.

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Agora, vamos a algumas presepadas do Renan alheiros:

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No ano da Graça do Nosso Senhor de 2007, o então presidente do Congresso, senador Renan Calheiros foi a sensação da imprensa nacional, atingido por uma série de denúncias de corrupção. Era manchete quase que diariamente.

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O episódio foi chamado de Renangate, neologismo aludindo ao escândalo do Watergate e outros que usaram a mesma terminação -gate. A crise começou em 25 de maio, com a circulação da notícia sobre o pagamento da empresa Mendes Júnior à ex-amante de Renan, e perdurou até 11 de novembro, quando ele renunciou à Presidência do Senado.

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As denúncias começaram com a revelação, em reportagem de capa da revista Veja, de que a empreiteira Mendes Júnior pagava 12 mil reais por mês à jornalista Mônica Veloso. Segundo a revista, Mônica havia sido amante de Renan e tivera um filho com ele.

A partir de então, uma sequência de denúncias na mídia relatou: a compra de rádios em Alagoas, em sociedade com João Lyra, em nome de laranjas; o ganho com tráfico de influência, junto à empresa Schincariol, na compra de uma fábrica de refrigerantes, com recompensa milionária; o uso de notas fiscais frias, em nome de empresas fantasmas, para comprovar seus rendimentos e a montagem de um esquema de desvio de dinheiro público em ministérios comandados pelo PMDB, fora outros desmandos.

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O resultado é que Renan acabou por cortar os dedos para não perder a mão e decidiu renunciar à presidência do Senado para evitar ser cassado. Anos depois, voltou a presidir aquela  casa parlamentar. Um total desrespeito ao povo brasileiro. Está aí, Bibi, como é a nossa política. Dois bandidos de colarinho branco inquirindo acusados de mal feito. É como se colocassem raposas para investigar sumiço de galinhas.

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Agora mesmo, ele acaba de ser denunciado à Justiça Federal, por recebimento de uma suculenta propina, da ordem de R$ 1 milhão, da Odebretch em 2012. Aí dá pra ver como são as folhas corridas dos dois principais comandantes da CPI da Pandemia.

 

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Bem, minha fofa, com essa o teu pretinho vai ficando por aqui, garantindo retorno na próxima semana, se Deus quiser. E ele quer, porque sempre foi bacana com esse teu pimpolho.

Beijão de quem continuará te amando para sempre.

Djalma

 N.E. Bibi é Benedita Rodrigues, mãe desse editor. Ela faleceu no dia 8 de dezembro de 1965, aos 28 anos de idade, na Santa Casa de Misericórdia.

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