E-mail pra dona Bibi

Ei, fofa, muito bom dia! Espero que estas poucas e mal traçadas venham a encontrá-la na santa paz do Nosso Senhor por aí. Por aqui, minha gata, a maré tá é braba. Bem sabes que mataram o Décio Sá na segunda-feira à noite lá na Litonârea.  Foi executado com seis tiros.

Serviço de profissional da pistolagem, como disse o secretário de Segurança, Aluísio Mendes, ao lado do cadáver. Fui lá olhar. Cena deprimente. Lembrei dos tempos que era repórter policial. Fiquei estarrecido.

O problema é que a nossa polícia está mais atônita do que cego em campo de batalha numa guerra. Já detiveram mais de 10 para averiguações. Dois tiveram prisão temporária decretada pela Justiça. O secretário decretou agora sigilo em torno das investigações, enquanto a sociedade exige que o caso seja esclarecido o mais rápido possível.

Se o assassinato de um colega é triste e revoltante, indigna é a postura de muita gente que agora se declara amiga da vítima. Teve um que todo mundo sabia que não gostava muito do Décio, que depois de sua morte publicou escrito, dizendo que estava há dois dias sem comer e sem dormir.

Só vendo a hipocrisia midiática de várias dessas pessoas. Coisa de dar nojo. Espero que o caso seja solucionado o mais rápido possível. A cobrança é grande. Até mesmo a Comissão de Direitos Humanos da ONU emitiu nota de solidariedade e cobrando providências. Resta agora a polícia cumprir o seu papel.

Agora, cidadã, deixo essa triste história de lado, para falar coisas mais agradáveis. A começar pela tua netinha, a Lívia. Na última quinta-feira ela deu mais um grito de independência. Não aceitou mais levar a lancheira com o suco e o biscoito. Agora, é na base do “faz-me-rir”, para comprar o lanche na cantina da escola. Me disse que lancheira é coisa de guri. Vamos agora às mais importantes da semana.

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Descobri uma daqui, ó, fofinha. O ex-sogro de um ex-prefeito da capital teve seu rádio a válvula roubado, isso aqui em São Luís.

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Problema é que dois dias depois, o marginal entregou o rádio na Polícia, dizendo que havia encontrado o “bicho” e se mandou, mas telefonou para o proprietário, que tinha o objeto como peça de coleção.

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Ele foi lá e resgatou seu emissor. Maior surpresa foi dias depois, quando o próprio ladrão se apresentou, confessando a autoria do delito, mas cobrando 20 reais de uma válvula que estava quebrada e ele havia comprado. Conseguiu o reembolso.

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Ih, morena, tá o maior bafafá no time do Moto Clube, presidido hoje pelo ex-deputado Sarney Neto. Salários atrasados e muita confusão. O Moto enguiçou foi feio.

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Lá pras bandas do Apicum, a coisa tá mais preta do que túnel longo sem iluminação. Um ano de salários atrasados e os padres nem se coçam, Radialistas, técnicos e o pessoal administrativo estão pedindo arrego.

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Falando em Educadora, o amigo Herberth Pereira, o Betinho, continua internado no São Domingos. Saiu da UTI e vem melhorando a cada dia, principalmente na questão psicológica.

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E olha que ele foi vítima de um “amigo da onça” neste mês. Esse “amigo”, ao meu ver, deveria está era na cadeia, pra demorar uns dias.

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Negócio é o seguinte: O Betinho chamou o tal “amigo”, a quem sempre ajudou e pediu que fosse fazer uns pagamentos na rede bancária, num total de R$ 600.

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O dito cujo pegou o dinheiro e simplesmente tomou chá de sumiço. Passou uma semana sem aparecer nem mesmo no serviço.

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Quando foi encontrado, a dois interlocutores contou histórias diferentes. Para um, falou ter sido assaltado na Camboa e que havia reagido e levado uns catiripapos.

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Para outro, disse que estava indo pegar o ônibus na Bei-Mar, onde teria sido atacado por dois marginais. Só isso caracteriza que ele fez mesmo foi roubar um doente acamado.

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Olha, gata, o deputado Marcos Caldas continua negando que tenha envolvimento com a prostituição de luxo na cidade de Teresina.

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Tava falando no começo, sobre os aproveitadores da morte de Décio Sá e lembro que até na Assembléia, já se fala na criação de uma CPI da Pistolagem, inspirada pelo deputado petista Bira do Pindaré.

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Sei não, petistas gostavam de CPI, mas hoje a história é completamente diferente. Eles não se dão muito bem com essa história.

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Em 1999, o então deputado Jomar Fernandes, petista de primeira hora, conseguiu emplacar a CPI do Crime Organizado, que teve o apoio da CPI do Narcotráfico, do Congresso Nacional.

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Essa CPI atraiu a atenção do Brasil. Cassaram deputados, prenderam a expulsaram delegados de polícia, agentes, e alguns empresários chegaram a sentir o odor noturno de uma cela de delegacia.

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Bibi, o tempo foi passando, foi passando e repentinamente as coisas se inverteram. Com a fama conquistada na CPI, Jomar se elegeu prefeito de Imperatriz e conseguiu emplacar a mulher, Terezinha, como deputada federal.

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O tempo continuou a passar e muitas surpresas aconteceram. Delegados e agentes expulsos voltaram recebendo salários retroativos em somas vultosas e o Jomar foi condenado por improbidade administrativa, do período em que foi prefeito, tendo ainda que devolver uma verdadeira fortuna.

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Como se diz, é como se o feitiço tivesse se virado contra o feiticeiro. Não posso negar que acho que aí teve jogada política, de forma alguma, mas cabe ao ex-prefeito provar inocência.

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Agora, uma justiça, quando o Bira do Pindaré propôs a CPI da Pistolagem, o Décio ainda não havia sido assassinado e poucos colegas lhe deram bola.

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Foi só acontecer o crime e quase metade da AL procurou o Bira para dizer que a CPI é importante, que é interessante, que é fundamental e coisa e tal.

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Acho que o Serviço de Imigração do governo federal não funciona no Maranhão, minha fofura. O centro da cidade está coalhado de camelôs asiáticos, que sequer falam português. Ninguém verifica a situação desses cidadãos no Brasil.

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Bem, gatinha fofa, com essa teu pretinho vai se despedindo por aqui, garantindo que volta na próxima semana, se Deus quiser. Mas ele quer, porque gosta muito aqui do teu fofo.

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Beijão do

filhote amado

Djalma Rodrigues

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