Advogado e empresário comandam terrorismo contra famílias quilombolas em Itapecuru

As 120 famílias do Quilombo Santana/São Patrício, localizada no município de Itapecuru, às margens da BR 135 ( Km 81) tiveram seus lares invadidos e derrubados por milícia fortemente armada, comandada pelo corretor de imóvel e advogado Francisco Caetano (CRECI 2020, OAB/MA 11.178) e pelo empresário residente em São Luís Fabiano Torres Lopes, no dia 17 de setembro de 2012.
A ação ocorreu por volta de 13:30 horas, do dia 17 de setembro, e contou com a presença de vários homens armados de revolver, escopetas e pistolas. Sem nenhum mandado de reintegração de posse, o advogado Francisco Caetano e o empresário Fabiano Torres Lopes invadiram, com selvageria e brutalidade, os lares de vários quilombolas. Os milicianos armados derrubaram portas, paredes e janelas dos lares das famílias quilombolas. Ao ser questionado pelos moradores se o mesmo possuía alguma ordem, o advogado Francisco Caetano afirmou que ele era o juiz e que todas as casas seriam derrubadas. Revoltados, os moradores entraram em contato com a Delegacia de Itapecuru e Santa Rita, que não deslocaram homens para a localidade, a fim de evitar o despejo. Desesperado, um morador se dirigiu ao posto da Polícia Rodoviária Federal em Itapecuru (Posto São Franciso) e uma viatura conseguiu evitar que as casas fossem derrubadas por tratores.
Na ocasião, vários tiros foram disparados contra a comunidade. Conforme auto de apresentação e apreensão lavrado pelo Delegado de Itapecuru Sebastião Rocha Nascimento Junior, foram recolhidos 07 cápsulas de pistola calibre 390 e dois projeteis não identificados.
Mais ameaças:
O presidente da Associação do Quilombo Santana/São Patrício, Valdemar de Jesus Santos, 64 anos, está sofrendo várias ameaças de morte pelo advogado Francisco Caetano e pelo empresário Fabiano Torres Lopes. Numa das ocasiões, os ameaçadores, acompanhados de três policiais militares lotados em Santa Rita-MA, tentaram prender a liderança quilombola, porque o mesmo estava cuidando de sua roça de mandioca. O corretor de imóveis e advogado Francisco Caetano afirmou para o grupo de milicianos que o quilombola Valdemar era “o cara”, durante a invasão do quilombo.

O clima é de tensão na localidade. O processo de titulação do território se encontra parado no INCRA, há quase um ano. Mesmo com vários registros de ocorrências, o Inquérito Policial tramita lentamente. Nem mesmo os ameaçados de morte foram ouvidos por qualquer autoridade policial.

(Jornal Vias de Fato)

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