Helena Duailibe: “Saúde não é lugar para política e picuinhas”

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Eleita vereadora pelo PMDB no ano passado, a médica Helena Duailibe deixou o parlamento no dia 3 de fevereiro, para assumir a Secretaria Municipal de Saúde, a convite do prefeito Edivaldo Holanda Júnior. Pesou, nesse convite, a longa experiência de Helena como gestora na área.
Ela já foi secretária da pasta no Estado, no Município, já dirigiu o Socorrão I, as unidades mistas do Bairro de Fátima e do São Bernardo e foi vice-presidente do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass). Na última sexta-feira, em entrevista a este blogueiro, no programa Notícias da Capital, na Rádio Capital AM, falou de suas expectativas e traçou um diagnóstico da saúde municipal. Disse que não se pode fazer política e nem picuinhas no setor, sob o argumento de que o paciente precisa é de atendimento, sem se importar com questões de cunho político partidário.
Durante uma hora e meia, ela respondeu aos questionamentos do entrevistador e de ouvintes. Veja o resumo da entrevista.
A senhora está há menos de um mês como secretária. Já dá para ter um diagnóstico, uma radiografia da saúde do Município?

Helena Dualibe –Recebi, com muita honra, no dia 31 de janeiro, o convite do prefeito Edivaldo Holanda Júnior para assumir esse cargo. No dia 3 de fevereiro fui empossada. Para mi, isso é uma grande missão, um grande desafio. O diagnóstico ainda não está completo, mas é tenebroso, já que encontramos a saúde municipal em estado delicado, com uma falta de estrutura impressionante em praticamente todas as unidades. Mas, com a força de vontade e o apoio do prefeito, iremos ultrapassar essas barreiras, com toda certeza.
Como a Secretaria de Saúde se preparou para o Carnaval?
Helena Dualibe –Da melhor maneira possível. Estamos com equipes de plantão, fazendo campanhas contra Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST), através de distribuição de preservativos e com apoio do Samu para os atendimentos de urgência e emergência. Aconselho aos foliões, que se divirtam sem exageros, para evitar problemas. Carnaval é alegria e não pode deixar sequelas indesejáveis.

A senhora disse, recentemente, que seu principal objetivo no momento era extinguir as quilométricas filas nos Socorrões. Já conseguiu?

Helena Dualibe– É muito triste ver pessoas internadas em corredores entupidos de macas, como se fosse hospitais de campanha de guerra. Os pacientes com dificuldades de usaram banheiros para sua necessidades. São cenas deprimentes, verificadas nos Socorrões I(Djalma Marques) e II (Clementino Moura). Neste último, através de parceria com o Hospital Universitário e a Santa Casa de Misericórdia, a coisa começou a ser modificada. A Santa Casa, por exemplo, aumentou o número de leitos, estando agora com 65 para atender aos pacientes do Clementino Moura, enquanto o Hospital Universitário atende, às sextas-feiras, 10 pessoas oriundas dessa nossa unidade, a maioria na área de Ortopedia, para cirurgias de média complexidade. A clínica médica do Socorrão II, na verdade, agora funciona na Santa Casa.

E o Socorrão I ?

Helena Duailibe- No Socorrão I a situação é mais complexa. Mas estamos contornando com apoio de retaguarda. Como exemplo, a Unidade Mista do Coroadinho, que voltou a funcionar, fazendo com que pessoas daquela áreas não recorram ao Djalma Marques. Veja que a área do Coroadinho foi a única onde não se pensou em instalar umas Unidade de Pronto Atendimento (UPA). O Hospital da Mulher, no Anjo da Guarda, que estava subutilizado, está recebendo estrutura adequada, assim como as Unidades Mistas do Bequimão e do São Bernardo. Essas unidades servirão como ponto de apoio dos Socorrões. Os Socorrões não tem hotelaria, mas dispõem de profissionais competentes e dedicados. O que está faltando é estrutura e isso nós estamos cuidando.

Os hospitais construídos pelo governo do Estado reduziram a vinda de pacientes do interior para a capital?

Helena Duailibe- Não tivemos tempo de analisar esses dados, até pelo pouco tempo. Esse estudo está sendo feito pela nossa equipe técnica e logo logo teremos uma resposta sobre esse assunto.

Há possibilidade de parceria com o governo do Estado, independentemente de questões política entre os governos estadual e municipal?

Helena Dualibe- Essa parceria já está em andamento. Quando assumi, uma resolução da Comissão Intergestores Bipartite (CIB), determinava que recursos de 39 municípios fronteiriços com o Piauí fossem destinados para o Estado, sob o argumento de que aquele Estado, fazia atendimento de milhares de maranhenses dessas 39 cidades, principalmente na área de Oncologia.
Procurei o secretário de Estado da Saúde, o Ricardo Murad e mostrei que isso era uma grande injustiça, que não traduzia a realidade, até porque temos uma grande referência no setor de Oncologia, que é o Hospital Aldenora Bello. O secretário decidiu então se ombrear nessa luta para evitar a drenagem desses recursos do Município. O Estado também está nos auxiliando com a doação de medicamentos nesse Carnaval. Vejo ainda que as UPAS tem um grande impacto nos atendimentos de urgência e emergência da capital. Existe a parceria, tanto com o governo do Estado como com a União, através da UFMA.
Olha, todo mundo tem seu direcionamento político e ideológico. Mas saúde não é lugar de política e nem de picuinha. O alvo principal é o paciente, que tem de ser atendido e esse atendimento tem que ser feito, de qualquer maneira.

Ausente das estatísticas no Brasil há mais de uma década, o sarampo está voltando com registros de casos no Ceará e Pernambuco. Há preocupação de que a doença chegue a São Luis?

Helena Dualibe– É verdade. O sarampo estava sem registro no Brasil há 15 anos. Agora, recentemente, foram verificados 62 casos no Ceará e uns poucos em Pernambuco. Foram trazidos por pessoas que viajaram ao exterior. Nossa situação é preocupante porque o maranhense tem uma estreita ligação com o cearense. É um visitando a terra do outro com muita frequência.
Mas estamos desenvolvendo uma campanha contra o sarampo para crianças a partir de 6 meses e menos de 5 anos. A vacinação está sendo realizada em todas as nossas unidades e logo no sábado, após o Carnaval, estaremos realizando uma grande movimentação, no sentido de que alcancemos algo em torno de 100% da meta, que é a de imunizar 73.393 crianças. A campanha atinge os municípios de São Luis, Ribamar, Raposa, Paço do Lumiar e Alcântara. A campanha foi autorizada pelo Ministério da Saúde, preocupado com a propagação do sarampo pelo País inteiro, principalmente porque estamos às vésperas de uma Copa do Mundo, quando o Brasil receberá milhares de estrangeiros.

O Município não pensa em criar um plano de saúde para seus servidores?

Helena Dualibe-A ideia é boa, excelente, mas na hora em que se consegue um atendimento de excelência na rede municipal, é como se existisse um plano. Agora mesmo, o prefeito Edivaldo Holanda Júnior assinou contrato com o Aldenora Belo, autorizando a realização do exame Petscan, direcionado aos portadores de câncer, e que não tem cobertura pelo SUS e nem da maioria dos planos de saúde. Ele custa R$ 3.500. Sensível aos problemas desses pacientes, o prefeito autorizou esse atendimento, utilizando recursos próprios da Prefeitura. É um grande avanço e uma forma de mostrar que a saúde municipal começa a alcançar as metas traçadas pela atual administração.

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