Professor da Ufma é vítima de homofobia e ameaças em campus

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O professor da Universidade Federal do Maranhão (Ufma) Glécio Machado Siqueira (foto), de 36 anos, denunciou à Administração Superior da instituição estar sendo vítima de homofobia praticada por três alunos dentro do campus de Ciências Agrárias e Ambientais, localizado no município de Chapadinha (a 252 km de São Luís).

Ao portal Uol, o professor, que é recém-contratado, relatou que desde o início do ano letivo vem sofrendo “insultos e agressões verbais”, praticados por três alunos dentro e fora de sala de aula.

O professor Glécio Siqueira: homofobia no campus

Os atos homofóbicos, segundo o docente, já chegaram a prejudicar o conteúdo em sala de aula.

“Me chamam de bicha, de gay, e outras agressões verbais impublicáveis. Eu não revido, pois me mantenho superior a isso tudo, mas me entristece demais. A minha tristeza foi convertida em luta pelos direitos humanos. Por várias vezes, tive de me retirar da sala de aula porque um aluno começou a ler meu currículo em sala de aula e a dizer que eu não era capacitado por conta da minha homossexualidade”, disse Glécio Siqueira ao Uol.

Em outro episódio, um aluno teria tentado agredir o professor no banheiro da universidade.

“Ele começou a falar palavrões e a chutar as portas. Comuniquei o fato à direção e me sugeriram passar a usar o banheiro feminino. É muita humilhação, pois sou um profissional e mereço respeito”, reclamou o docente.

Além de comunicar o caso à coordenação do campus, à Administração Superior da Ufma e à Ouvidoria da instituição, o professor também comunicou o problema ao Ministério da Educação (MEC).

A Ufma divulgou uma nota na quarta-feira, na qual afirma que “repudia qualquer tipo de discriminação de racismo, opção sexual ou religiosa que envolva a comunidade acadêmica” e informa que “está apurando os fatos para decidir qual procedimento tomar diante da discriminação sofrida pelo professor” (veja a íntegra da nota abaixo).

O professor contou que tanto ele quanto os alunos que o apoiaram já receberam ameaças de morte feitas pelos três alunos agressores.

OAB – Siqueira – que tem dois pós-doutorados – foi chamado este ano em um concurso da Ufma para ministrar aulas de física e biofísica para 200 estudantes dos cursos de engenharia agrícola, biologia e zootecnia.

Na segunda-feira (24), a Comissão de Diversidade Sexual da OAB/MA (Ordem dos Advogados do Brasil no Maranhão) esteve em Chapadinha e denunciou o caso à polícia. O professor informou que vai ingressar com uma ação na Justiça.

NOTA DA UFMA – Por meio de nota, a Administração Superior da Ufma se manifestou sobre o caso na quarta-feira (26). Veja a nota:

“A Universidade Federal do Maranhão, em respeito aos direitos do cidadão e em respeito à opinião pública vem a esclarecer que:

  1. Como tem agido em casos similares já ocorridos na instituição, repudia qualquer tipo de discriminação de racismo, opção sexual ou religiosa que envolva a comunidade acadêmica;
  2. Está apurando os fatos para decidir qual procedimento tomar diante da discriminação sofrida pelo professor do Campus de Ciências Agrárias e Ambientais de Chapadinha, Glécio Machado Siqueira;
  3. A Universidade volta a reafirmar o seu compromisso com a verdade, com a democracia e com os direitos dos cidadãos, mas, principalmente, com a idoneidade da sua comunidade acadêmica.”

 

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