Senador quer que preso paguem as próprias despesas

presos

Um projeto de lei em tramitação no Senado propõe que os presos paguem despesas com a suaprópria manutençãono sistema prisional, seja em dinheiro ou na forma de trabalho.

Segundo o projeto nº 580 de 2015, cujo autoria é do senador Waldemir Moka (PMDB-MS), a alteração da Lei de Execução Penal é uma forma de “o preso ressarcir o Estado”.

No texto, Moka justifica que o sistema prisional no Brasil passa por uma “grave situação”, sendo a falta de recursos um dos principais motivos.

“Se as despesas com a assistência material fossem suportadas pelo preso, sobrariam recursos que poderiam ser aplicados em saúde, educação, em infraestrutura etc.”, sugere o senador.

 

Lembre do escândalo dos Anões do Orçamento. Poderoso ministro de Temer foi um dos envolvidos

Há 23 anos o Brasil testemunhou um de seus grandes escândalos de corrupção nos primeiros anos que seguiram pós ditadura. Foi o esquema conhecido como Anões do Orçamento, no qual políticos manipulavam emendas parlamentes com o objetivo de desviarem o dinheiro através de entidades sociais fantasmas ou com a ajuda de empreiteiras. Ministro da Secretaria do Governo Temer, Geddel Vieira Lima foi um dos envolvidos.geddel vieira lima

 

Esse escândalo foi descoberto após o assessor da Comissão de Orçamento José Carlos Alves dos Santos ter sido preso acusado de tramar a morte de sua mulher. Ele não aguentou a repercussão que o caso teve, e resolveu abrir a boca delatando todo o esquema que era comandado pelo deputado baiano, João Alves, na época do PFL, que ficou conhecido com célebre desculpa de ter ganho tudo na loteria, 56 vezes só em 1993, que pela probabilidade matemática, representaria um gasto de US$ 17 milhões em apostas.

Esse escândalo ficou conhecido por ser o primeiro no qual os parlamentares investigaram seus próprios colegas na CPI do Orçamento que foi instaurada. Entretanto grandes nomes teriam sido tirados das listas de investigados, decaindo a culpa apenas sobre o “baixo clero”, como são conhecidos os deputados de menor expressão.

João Alves era apontado como o chefe do esquema e por dizer que ganhou o dinheiro na loteria

 

joãso alves

Isso foi resolvido com a inclusão do nome de Ibsen Pinheiro, deputado que presidiu na Câmara a sessão de cassação de Fernando Collor de Mello, e que era citado na corrida presidencial, pelo PMDB. A grande exposição e a falta de apoio político do qual dispunham os caciques, contribuíram para sua cassação. Anos depois, foi comprovado que a movimentação supostamente suspeita era de US$ 1 mil, e não US$ 1 milhão. Ele foi inocentado na Justiça.

Como funcionava:

Os deputados apresentavam emenda na Comissão do Orçamento, sendo que quem determinava o que entrava ou saia era João Alves, que no ano de 1990, por exemplo, decidiu a destinação de 30,2% do total de verbas do Ministério da Ação Social.

José Carlos Alves dos Santos foi o delator do maior esquema de corrupção até então no País

 

revista veja

Entidades fantasmas eram usadas para receber dinheiro voltado para assistência social, e acordo eram feitos com empreiteiras para serem favorecidas nos processos de escolha para as obras.

A abertura da CPI derrubou o presidente da Câmara na ocasião, Ibsen Pinheiro (PMDB) e os deputados Genebaldo Corrêa (PMDB-BA), João Alves (PFL-BA) e mais sete parlamentares, entre cassados e aqueles que preferiram renunciar.

Os envolvidos:

João Alves – era o líder da quadrilha, tinha movimentação financeira 300 vezes maior que a compatível com sua renda de parlamentar.  Com os conhecimentos técnicos de José Carlos Alves dos Santos na Comissão de Orçamento da Câmara manipulava as emendas. Ele renunciou ao cargo para não ser cassado e perder os direitos políticos e morreu em 2004 por causa de um câncer de pulmão.

José Carlos Alves dos Santos – Era o responsável técnico da Comissão do Orçamento, e foi o delator do esquema, após suspeita de ordenar a morte da mulher, crime pelo qual foi condenado a 20 anos de prisão, mas está em liberdade condicional.  Ele relatou à CPI que sua mulher sabia do esquema, mas tinha conhecimento apenas das comissões, que variavam entre 20% e 30%.

Ricardo Fiuzza – Quando comandou a Comissão de Orçamento beneficiou uma de suas fazendas com dinheiro público. Escapou da cassação e morreu no final de 2005 por causa de um câncer.

José Geraldo Ribeiro – Deputado peemedebista que fundou três entidades que recebiam dinheiro da União, e cujos endereços eram os mesmos de locais onde ficavam empresas suas. Ao todo, oito entidades eram comandadas por ele. Foi cassado na Câmara.

Genebaldo Correia – Era o líder do PMDB na Câmara, e integrava o núcleo de poder da comissão, entre 1986 e 1991. Não conseguiu explicar a movimentação de US$ em suas contas, além de admitir que sua única fonte de renda. Renunciou para não ser cassado em 1994, e foi eleito prefeito da cidade de Santo Amaro de 2000 a 2004, e diretor-secretário da Fundação Ulysses Guimarães, em salvador, em 2010.

Manoel Moreira – ele era um dos “anões”. Sua ex-mulher, Marinalva Soares da Silva, depós na CPI revelando detalhes do esquema do qual ele fazia parte. Renunciou antes de ser cassado. Tinha movimentado cerca de US$ 3,2 milhões, entre 1989 e 1993. Foi inocentado de parte das acusações na Justiça em 2009, e trabalha como advogado.

Raquel Cândido – Foi acusada de se apropriar de US$ 800 mil que seriam destinados para ações sociais, e cassada pela Câmara em 1994. Teria tentado suicídio, além de ser presa anos depois por uma briga por R$ 2,5 mil.

Ibsen Pinheiro – Era presidente da Câmara durante o processo de impeachment de Collor e foi acusado de envolvimento no caso pela movimentação de US$ 1 milhão, que mais tarde comprovou-se ser de US$ 1 mil. Não escapou da cassação, mas foi inocentado pela Justiça em 2000. Hoje é conselheiro do Internacional de Porto Alegre.

Cid Carvalho – Presidente da Comissão mista de orçamento de 1988, 1990 e 1991, era a segunda pessoa no núcleo de poder do esquema. Seria responsável pela aproximação com empreiteiras, mediante pagamento de comissão, recebendo de recursos de verbas sociais, além de ter utilizado uma empresa para liberar verbas para municípios. Uma das entidades beneficiadas tinha o mesmo endereço de seu escritório político no Maranhão.

Ronaldo Aragão – Foi presidente da Comissão mista em 1991, e teria direcionado recursos de emendas suas para empreiteira de seu primo. Seu rendimento era 4.000% maior que sua renda. Morreu de parada cardíaca em 1995.

Geddel Vieira Lima – Era apoiado político de João Alves, e foi responsável pela liberação de diversas emendas para o parlamentar, além de ter sido acusado de receber dinheiro de empreiteiras. Foi ministro da Integração Nacional do governo Lula, quando destinou 60% das verbas para seu curral eleitoral no ano em que disputaria eleição.

Edison Lobão – O então governador do Maranhão foi um dos citados nas denúncias feitas por José Carlos dos Santos, na época em que era senador pelo Maranhão. Foram encontrados indícios de irregularidades, mas a investigação não foi levada adiante pela falta de tempo, mas a incongruências foram encaminhadas para o Ministério Público. Hoje é o ministro das Minas e Energia.

João Alves Filho – Quando era governador de Sergipe, foi citado por José Carlos dos Santos na denúncia, mas ele teria omitido rendimentos nos documentos apresentados, além de problemas no Imposto de Renda. Hoje é prefeito de Aracaju.

Joaquim Domingos Roriz – Em suas denúncias José Carlos dos Santos disse que encontrou o governador do distrito Federal na casa de João Alves, onde teria oferecido recursos para a aprovação de emendas. Sua movimentação bancária seria incompatível com seus rendimentos. Se envolveu em um esquema de desvios de recursos do DF, foi condenado por improbidade administrativa, renunciou a candidatura em 2010 e colocou a mulher em seu lugar.

Margarida Procópio – Foi ministra da Ação Social do governo Collor. Sua pasta era uma das que mais beneficiava as emendas problemáticas além de ter enviado vários comunicados a empreiteiras em nome de prefeituras e governos estaduais. Hoje é ligada ao grupo político de Collor em Alagoas.

Carlos Chiarelli – foi Ministro da Educação. As investigações da CPI apontaram movimentação financeira incompatível com a renda.

 

Casal Camarão se destaca em palestras da Abramet realizadas em Salvador

Phil Camarão em sua palestra

Phil Camarão em sua palestra

Os casal de médicos Phil e Rita Camarão se destacou em palestras proferidas no último dia 20, por ocasião da Jornada Baiana de Medicina do Tráfego, que foi realizada em Salvador. Os dois são especialistas em Medicina do Tráfego e  Phil Camarão  é o presidente regional da Associação Brasileira de Medicina do Tráfego (Abramet), órgão que realizou o evento. Phil, é também, membro titular da Câmara Temática de Saúde e Meio Ambiente do Contran/Denatran, enquanto Rita Camarão  é suplente.

Em sua palestra,  denominada “Reflexões  sobre   a exigência do exame toxicológico”  para quem vai se habilitar  a condutor nas carteiras C, D e E”, ele destacou  que o exame aos aspirantes a motoristas profissionais não é a solução adequada.

Conforme Camarão, o correto é a realização do exame durante a realização das blitzen  realizadas pela Polícia Rodoviária Federal, em comum acordo  com os organismos que tratam da fiscalização do trânsito  nas duas outras  esferas ( estadual e municipal).

Rita Camarão

Rita Camarão

Phil C amarão enfatizou ainda que  a obrigatoriedade do exame antes do cidadão conseguir a carteira, só faz é onerar o  bolso do futuro motorista profissional. Já a esposa dele, Rita Camarão, também abordou este e outros tema durante a palestra dela.

O exame toxicológico para a habilitação é um assunto bastante polêmico. Foi determinado pelo Denatran  (Departamento Nacional de Trânsito), mas diversos Detrans, recorreram à Justiça e conseguiram derrubá-lo.

 

PGR cogita inquéritos para investigar Renan, Jucá, Sarney e Lobão

Uma autêntica trinca de reis

Uma autêntica trinca de reis

Matheus Leitão

 

Com a homologação do acordo de delação premiada do ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado, a Procuradoria Geral da República avalia pedir ao Supremo Tribunal Federal (STF) a abertura de inquéritos para investigar o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), o senador Romero Jucá (PMDB-RR), o ex-presidente José Sarney (PMDB-AP) e o senador Edison Lobão (PMDB-MA).

Segundo apurou o blog, o pedido de abertura de inquéritos terá como base fatos narrados por Machado em depoimentos que prestou a investigadores da operação Lava Jato. Além da gravação de conversas com as lideranças peemedebistas, o ex-presidente da Transpetro detalhou nesses depoimentos como funcionou um esquema de corrupção na subsidiária da Petrobras destinado a suposto enriquecimento ilícito dos políticos.

De acordo com informações obtidas pelo blog, os áudios gravados por Machado são “poderosíssimos” para demonstrar a intimidade dele com integrantes da cúpula do PMDB, além do modus operandi dos políticos alvos das gravações.

As conversas com os procuradores, nas quais Machado mostrava a intenção de aderir ao instituto da delação premiada, começaram há um mês, mais precisamente no final de abril, apurou o blog. As gravações já tinham sido realizadas e foram entregues por Machado durante esses depoimentos.

A aceitação das gravações pelos investigadores deve-se a uma decisão de 2013 do Supremo Tribunal Federal, pela qual a gravação ambiental realizada por um interlocutor sem a ciência do outro não depende de prévia ordem judicial.

Procurada pelo blog, assessoria de imprensa de Renan Calheiros afirmou que o senador nega ter cometido irregularidades e continua à disposição da Justiça para quaisquer esclarecimentos.

O advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, que representa Sarney e Lobão, afirmou que não pode responder de forma fragmentada uma delação “claramente induzida” e que pediu nesta sexta-feira (27) uma cópia da delação de Machado.

 

Bolsa Família perdeu R$ 2,6 bilhões com fraudes durante governos do PT

Levantamento inédito mostra o volume de recursos desviado do programa. Funcionários públicos, mortos e até doadores de campanha estão entre os beneficiados

bolsa famílçia

Por: Pieter Zalis26/05/2016 às 21:35 – Atualizado em 26/05/2016 às 21:35

NA FILA – Sem fiscalização eficiente, o dinheiro do contribuinte deixa de ir para quem precisa: é o “bolsa fraude”

(ALEXANDRO AULER/VEJA)

Daria para fazer quase 30 000 casas pelo programa Minha Casa, Minha Vida. Somente entre 2013 e 2014, pelo menos 2,6 bilhões de reais do total da verba reservada ao Bolsa Família foram parar no bolso de quem não precisava. A informação é resultado do maior pente-fino já realizado desde o início do programa do governo federal, em 2003. Feito pelo Ministério Público Federal a partir do cruzamento de dados do antigo Ministério do Desenvolvimento Social com informações de órgãos como Receita Federal, Tribunais de Contas e Tribunal Superior Eleitoral, o exame detectou mais de 1 milhão de casos de fraude em todos os estados brasileiros. O Bolsa Família, um valor mensal a partir de 77 reais por pessoa, é destinado exclusivamente a brasileiros que vivem abaixo da linha da pobreza. A varredura mostrou, no entanto, que entre os que receberam indevidamente o auxílio no período estão funcionários públicos, mortos e até doadores de campanha (veja o quadro na pág. ao lado).

Só de funcionários públicos foram 585 000 os beneficiários ilegais. Em todos os casos, os contemplados ganhavam ao menos um salário mínimo (piso da categoria) e, segundo apurou o estudo, pertenciam a famílias com renda per capita acima de 154 reais – situação que os impediria de receber o benefício. O fato de esses funcionários serem majoritariamente servidores municipais reforça a tese do Ministério Público de que esse tipo de fraude não dispõe de um comando centralizado. “Nasce daquele microcosmo do município em que o cadastrador conhece quem está sendo habilitado e não tem interesse em realizar uma fiscalização correta sobre suas condições de pobreza”, afirma a procuradora Renata Ribeiro Baptista, que coordenou a pesquisa.

Os doadores de campanha ocupam lugar de destaque no ranking das categorias de fraudadores identificadas no estudo. O Ministério Público encontrou 90 000 beneficiários do programa que, em 2014, doaram a políticos ou partidos valores iguais ou superiores aos recebidos do programa naquele ano e casos de grupos de dez ou mais beneficiários que transferiram verbas para um mesmo candidato.

O levantamento achou ainda beneficiários sem CPF ou com mais de um CPF, além de 318 000 beneficiários que eram donos de empresas. Abrir uma empresa não significa necessariamente que alguém seja um sujeito de posses (o processo para constituir uma firma pode custar pouco mais de 200 reais), mas o Ministério Público acredita que poucos dos contemplados nessa situação conseguirão provar que vivem abaixo da linha da pobreza.

Os 2,6 bilhões desviados correspondem a 4,5% do total investido no programa no período e estão abaixo da média internacional, apontada pelo Banco Mundial, de 10% de desvios em programas sociais. Para a procuradora Renata Baptista, porém, a estimativa do MPF é “conservadora”. Segundo ela, muitas fraudes ficaram de fora do levantamento. “Apenas servidores com quatro ou menos familiares entraram no estudo.” O prejuízo ainda vai aumentar.

 

CNJ afasta indicado de Nelma Sarney do comando de cartório de São Luís

Desembargadora Nelma Sarney

Desembargadora Nelma Sarney

 

A corregedora Nacional de Justiça, Nancy Andrighi, determinou o afastamento de um escrivão nomeado  pela desembargadora Nelma  Sarney para comandar o primeiro cartório de imóveis de São Luís, considerado um dos maiores e mais lucrativos do Maranhão.

Em sua decisão, a corregedora aponta que Ricardo da Silva Gonçalves fez manobras para receber remuneração acima do teto estabelecido para a função pelo CNJ (Conselho Nacional de Justiça), além de não prestar contas sobre o cartório ao Tribunal de Justiça do Maranhão desde janeiro de 2015.

Ricardo foi nomeado para responder interinamente pelo cartório em junho de 2014 pela então corregedora-geral de Justiça do Maranhão, a desembargadora Nelma Sarney.

Ele também é titular do Cartório da cidade de Passagem de Franca (MA).

Apesar da portaria que tratou de sua indicação como interino deixar claro que sua remuneração pelo cartório não poderia ultrapassar 90,20% teto do funcionalismo público, Ricardo pleiteou ao Supremo Tribunal Federal que não se submetesse a esse limite, mas teve o pedido negado.

Ele, então, entrou com um pedido na Justiça do Maranhão, de primeira instância, e obteve decisão favorável, passando por cima do entendimento do Supremo e recebendo os valores acima do permitido.

Além disso, o CNJ detectou que Ricardo não estava fornecendo informações sobre as contas do cartório, o que traria risco de prejuízo “de difícil reparação”.

Segundo dados da Justiça Aberta, a última informação que consta no sistema sobre o cartório revela uma arrecadação de mais de R$ 8 milhões no primeiro semestre de 2014, sendo que o semestre anterior registrou R$ 10,2 milhões.

O outro cartório sob responsabilidade de Gonçalves, o de Passagem de Franca, informou como último rendimento R$ 158 mil. Segundo a Folhaapurou, Gonçalves também não repassou a diferença entre despesas e receitas nos meses de dezembro e novembro de 2014 ao Fundo Especial de Modernização e Reaparelhamento do Judiciário –o que é obrigatório nos casos de cartórios vagos.

Apesar das falhas, a então corregedora Nelma Sarney não tomou providências. No Maranhão, 38 cartórios encontram-se vagos e outros 60 têm pendências judiciais.

Em sua decisão liminar (provisória) assinada na quarta (25), a corregedora nacional de Justiça determinou que a Justiça do Maranhão afaste Gonçalves e que ele apresente esclarecimentos sobre os repasses ao Ferj (Fundo Especial de Modernização e Reaparelhamento do Judiciário) e justifique a “falta de alimentação do Sistema Justiça Aberta”.

Adversários querem entrar na Justiça contra decisão de Waldir Maranhão

waldir

Os principais adversários de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) no Conselho de Ética sinalizaram que devem entrar na Justiça contra a decisão do presidente interino da Câmara, Waldir Maranhão (PP-MA), de limitar o parecer do colegiado. Em nota, assinada pelo presidente do Conselho, José Carlos Araújo (PR-BA), pelo relator Marcos Rogério (DEM-RO) e pelos deputados Júlio Delgado (PSB-MG) e Betinho Gomes (PSDB-PE), os parlamentares dizem que lamentam a “interferência descabida” do presidente interino.

“Atos como o de hoje praticado levaram o Supremo Tribunal Federal, por onze a zero, a afastar o representado (Cunha) do exercício do mandato e da presidência da Câmara dos Deputados. No momento, estudamos a possibilidade de ingressar com as medidas cabíveis, sejam estas de natureza judicial ou administrativa”, afirma o texto. À reportagem, Marcos Rogério adiantou que irá se reunir com a equipe jurídica do colegiado na próxima sexta-feira, 27, e que deve ir ao Supremo Tribunal Federal no início da próxima semana.

 

O grupo declarou ainda que Maranhão não tem “competência constitucional, legal e regimental” para proferir a decisão. De acordo com o entendimento de Araújo, Rogério, Araújo e Delgado, “a extensão e os limites do objeto da representação”, oriunda de uma questão de ordem do deputado Carlos Marun (PMDB-MS), fazem parte de uma matéria de “natureza processual, e não regimental, não possuindo o presidente em exercício qualquer atribuição para decidir sobre o tema”. Para eles, o objetivo da ordem é “restringir o processo”.

“Não bastasse a mudança de membros, com claro objetivo de interferir no resultado da votação, fica evidente que, mais uma vez, o ato proferido constitui uma ofensa direta à autonomia e à independência do Conselho de Ética, órgão cuja independência é prevista justamente para impedir o uso de manobras políticas visando parar o regular processamento de deputados acusados de quebra de decoro”, afirmam os deputados em nota.

Prefeito de Nova Colinas é preso por desvio de dinheiro

O prefeito de Nova Colinas, município localizado a 734km de São Luís, foi preso na madrugada desta quinta-feira (26), em Balsas, por equipes da Superintendência Estadual de Prevenção e Combate à Corrupção (Seccor). De acordo com a polícia, Elano Martins Coelho (PRB) é suspeito de desvios de verbas públicas no município.

O delegado-geral de Polícia Civil do Maranhão, Lawrence Melo Pereira, informou que Elano Martins Coelho será transferido para São Luís e apresentado na sede da Secretaria de Segurança Pública (SSP-MA). A prisão do prefeito de Nova Colinas foi resultado da investigação de vários casos de agiotagem em prefeituras do Maranhão.

Josimar – Ex-craque da Seleção Brasileira escolhe São Luis para morar e montar projeto

Josemart concede entrevista, a Djalma Rodrigues, sob os olhares do vereador Ricardo Diniz

 

 

(Por Djalma Rodrigues)

(Fotos-Paulo Caruá)

Na Copa do Mundo de 1986, no México, ele brilhou talvez mais do que os consagrados craques Zico, Sócrates, Branco, Toninho Cerezo e companhia. Isso porque, embora atuando na lateral direita, fez dois belos e surpreendentes gols, contra a poderosa Polônia e contra a tímida Irlanda. Foi o suficiente para ganhar as manchetes do mundo inteiro e o coração da torcida brasileira. A fama foi imediata, embora o Brasil tenha tropeçado nas quartas de final contra a França.

Esse negro de estatura mediana,  de porte ainda atlético e atarracado é Josimar Higino Pereira, nascido no subúrbio carioca de Pilares, que, aos 53 anos, decidiu, desde o ano passado, fixar residência em São Luis, onde está  montando o projeto “Bola no pé e livro na mão”, em parceria com o vereador Ricardo Diniz  (PC do B).

Carreira

Josimar, nos tempos da selerção

Josimar começou a sua carreira profissional no Botafogo em 1982, permanecendo no clube durante oito anos. Neste período, além de conquistar vários títulos internacionais – Genebra-1984, Berna-1985, Taça Cidade Palma de Mallorca-988 – fez parte do elenco que conquistou o principal título do Glorioso na década de 80: o estadual de 1989, pondo fim a um jejum de 21 anos sem conquistas expressivas.

Depois jogou no Sevilla (Espanha), Flamengo, Internacional, Novo Hamburgo-RS, Bangu, Fortaleza, Jorge Wilstermann (Bolívia), Fast Clube-AM e Mineros de Guayana (Venezuela).

Pela Seleção Brasileira,  jogou de 1986 a 1989, sendo campeão da Copa Stanley Rous, em 1987, e da Copa América, em 1989. Disputou a Copa do Mundo em 1986, no México, quando marcou os dois gols mais importantes da carreira, contra a Irlanda e contra a Polônia.

Nessa Copa, o Brasil foi desclassificado nas quartas de final pela França, na cobrança de pênaltis, após empate de 1×1 no tempo normal. Sócrates e Júlio César desperdiçaram as cobranças. No tempo normal, Zico perdeu um pênalti, quando  a partida estava empatada.

Na última quarta-feira (25), Josimar esteve na Câmara Municipal de São Luis, onde conversou com vereadores, foi assediado por dezenas de fãs e, numa entrevista concedida a Djalma Rodrigues, falou as razões de ter vindo morar  em São Luis, destacou pontos do seu projeto e mostrou preocupação quanto à possibilidade do Brasil não se classificar  para a Copa do Mundo de 2018 na Rússia. Vamos à entrevista:

DJALMA RODRIGUES- Quais as razões de fixar residência em São Luis, após morar em outras cidades brasileiras e no exterior?

JOSIMAR – Foi um caso de amor à primeira vista. Estive em São Luis a primeira vez de passagem, quando vim dar um passeio pelos Lençóis Maranhenses. A capital do Maranhão me deixou encantado e, em 2015, decidir vir morar nesta bela cidade. Fui recebido de braços abertos, sou muito bem tratado aqui.

DJALMA RODRIGUES- Além da Copa do Mundo de 1986, em que você despontou para a fama, quais outras grandes  emoções que lhe propiciaram o futebol?

JOSIMAR –  A Copa de 1986 foi uma vitrine para mim, embora até hoje tenha lamentado não termos conquistado o título, mas o futebol sempre me deu muitas emoções e, uma das mais fortes, foi o Campeonato Estadual do Rio de Janeiro, vencido pelo Botafogo, de forma invicta, em 1989. O Botafogo estava sem levantar o troféu há  21 anos. Sou botafoguense de coração e aquele título, me emocionou bastante.

DJALMA RODRIGUES- Você integrou a formidável Seleção de 1986, comandada  por Telê Santana e que tinha Sócrates, Zico e tantas outras estrelas. Como o grupo encarou aquela histórica derrota para a França, nas quartas de final, na cobrança de pênaltis?

JOSIMAR –  Um clima de velório se instalou entre nós no vestiário, ficamos muito tristes, pesarosos. Aquela foi uma geração de muito brilho, como o Zico, o Sócrates, o Toninho Cerezo, o Júnior e vários outros craques, que não tiveram o prazer de ganhar uma Copa do Mundo. Veja que a Seleção , já havia tropeçado na Copa de 1982, na Espanha, contra a Itália, nas semifinais. Aquela geração já estava se preparando para pendurar as chuteiras e, por isso, queria, de qualquer forma ganhar uma Copa, mas, infelizmente, não deu.  Futebol é isso. É repleto de emoções, em que nem sempre vence o melhor, mas aquele que consegue aproveitar as melhores oportunidades. Para que se tenha uma ideia, vários jogadores franceses foram  ao nosso vestiários nos cumprimentar e se disseram surpresos, porque afirmaram que haviam entrado em campo com a certeza da derrota.

DJALMA RODRIGUES – Atualmente, a Seleção Brasileira já não mete em nenhum adversário. O que está acontecendo, na sua concepção, com o futebol brasileiro?

JOSIMAR –Não é só na minha concepção, mas na concepção do mundo inteiro. Tempos atrás, íamos enfrentar a Venezuela, por exemplo, e, nas bolsas de apostas, o placar geralmente era de que o Brasil venceria de 5×0 pra frente. Hoje isso mudou e a Venezuela se tornou um forte adversário. Temos perdido para os venezuelanos. Acho que está faltando mudança estrutural e preparo. Todo mundo está se organizando enquanto estamos ficando para  trás.

DJALMA RODRIGUES- Temos aí, para este ano, a Copa América e os jogos Olímpicos. Quais são suas expectativas em torno do Brasil nestas duas competições?

JOSIMAR – São boas minhas expectativas. Primeiro que sou amante do futebol, sou um atleta e sou brasileiro. Mas vejo que não será fácil. Temos apenas o Neymar como figura de destaque. Não podemos viver apenas à sombra do Neymar, que vai para os Jogos Olímpicos e não atuará na Copa América. O Brasil tem que se reciclar, para poder avançar e  conquistar a força e o prestígio que teve no passado.

DJALMA RODRIGUES- E a histórica derrota do Brasil para a Alemanha, por 7×1, aqui dentro de casa, na última Copa do Mundo, como você a digeriu?

JOSIMAR –Difícil explicar. Muito difícil, muito complicado. Foi um desastre que jamais será esquecido. Tenho amigos na Alemanha, que sempre brincam comigo. Todo mundo quer ganhar do Brasil, mas o episódio contra os alemães deve é servir de exemplo, para o Brasil se prepare e que jamais ocorra outro desastre como esse.

DJALMA RODRIGUES – Rivelino, que foi tri campeão mundial pelo Brasil na Copa de 1970, no México, ao lado de Pelé,  Tostão, Carlos Alberto e outros estrelados, disse, na semana passada que dificilmente o Brasil estará na Copa do Mundo de 2018, na Rússia, por conta do pífio desempenho nas Eliminatórias. Você concorda com a tese dele?

JOSIMAR – Discordo. Apesar dos tropeços, o Brasil ainda reúne plenas condições de classificação. O que se precisa é de  um trabalho de equipe bem definido, de uma reciclagem, de união, de entendimento e de força de  vontade. Acredito na classificação do Brasil, porque se isso não acontecer, será a primeira vez que o Brasil ficará fora de uma Copa, o que seria muito triste para o povo brasileiro, um povo que sempre se notabilizou pelo amor ao futebol.

DJALMA RODRIGUES- No que consiste o projeto  “Bola no pé e livro na mão?”

JOSIMAR – É a materialização de um sonho. É a busca do amparo e o resgate de jovens problemáticos. É um autêntico antídoto contra as drogas, contra a marginalidade. O esporte proporciona isso. Que atire a primeira pedra quem nunca enfrentou problemas na vida. Eu, por exemplo, enfrentei vários e, agora, quero contribuir para ajudar jovens com problemas. O projeto tem regras, e exige que, quem participe dele,  esteja na escola e tenha boas notas. Não é apenas futebol ele também oferece curso de idiomas estrangeiros e outros benefícios. O vereador Ricardo Diniz estará nessa parceria e tenho plena certeza de que a sociedade de São Luis irá abraçá-lo da mesma forma como me abraçou.

Morre em São Paulo o cantor e compositor maranhense Papete

papete

Morreu na noite dessa quarta-feira (25) aos 68 anos o engenheiro ambiental, cantor e compositor José de Ribamar Viana, o ‘Papete’. Papete lutava contra um câncer de próstata, diagnosticado este ano. O músico estava internado em um hospital em São Paulo, e o quadro havia piorado nos últimos dias.

O corpo de Papete deve ser transferido para São Luís ainda nesta quinta-feira (26), onde será velado na Casa do Maranhão, região central da capital maranhense.

Trajetória

Papete nasceu em Bacabal – a 240 km de distância da capital –, e é uma das principais referências do São João do Maranhão, com canções e composições que marcaram gerações, como ‘Bela Mocidade’, ‘Boi da Lua’ e ‘Coxinho’. Seu trabalho mais destacado é ‘Bandeira de Aço’.

Papete foi reconhecido um dos melhores percussionistas do mundo, nos anos de 1982, 1984 e 1987, quando participou do ‘Festival de Jazz de Montreux’, na Suíça.

Mais recentemente, o cantor e compositor lançou um trabalho, intitulado ‘Os Senhores Cantadores, Amos e Poetas do Bumba Meu Boi do Maranhão’, que resgata a história dos cantadores de bumba meu boi do Maranhão.